sexta-feira, 22 de junho de 2012

Juiz de Fora realiza evento para afirmar a cultura negra na cidade


A programação começa na sexta-feira, 29, às 18h, com a saída de um Cortejo da Câmara Municipal de Juiz de Fora (no Parque Halfeld) em direção ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (Av. Getúlio Vargas nº 200 - Centro).

Nesse espaço cultural, às 19h, a Mesa de Abertura reúne os presidentes do Batuque Afro-Brasileiro de Nelson Silva (Flávio Aloísio Carneiro) e do Instituto Cultura do Samba (Régis da Vila), o coordenador da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (José Marmo da Silva) e o blogueiro, ativista e militante de movimentos sociais, Eduardo Guimarães.

A noite termina com uma homenagem aos blogueiros Eduardo Guimarães (São Paulo) e Vinnicius Moraes (Juiz de Fora), seguida de um momento de confraternização.

No sábado, 30, também no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, após o credenciamento dos participantes (das 8h30min às 9h), uma Mesa Redonda coordenada pelo professor de História e Mestre em Ciências da Religião, Antônio Carlos, reúne Adenilde Petrina Bispo (professora de Historia, militante do movimento social e ex-coordenadora da Rádio Comunitária Mega FM), Antônio Carlos da Hora (professor do Departamento de Comunicação da Faculdade Estácio de Sá) e Vinnicius Moraes (jornalista, blogueiro, especialista em Gestão de Processos Comunicacionais), para abordar o tema: "O Negro na Mídia".

Às 10h40min, em um Painel, o psicólogo Marco Antônio Guimarães (Rio de Janeiro) fala sobre "Cultura e Identidade Negra".

O período da tarde, intitulado "Batuque no Bar/Conversa Afiada", é marcado por muito bate-papo e diversas apresentações culturais: Batuque Afro-Brasileiro de Nelson Silva; Calango; Capoeira - Mestres Cuité e Paulo Elias; Encantadora Odara Dandara; Folia de Reis "Rei Mago do Oriente", dirigida por Mestre Nini; Grió; Hiphop e seus elementos - Efeito de Rua, Harmadilha do Guetto e Zumbreak Avatar; Instituto Cultura do Samba; Jongo - Caxambu Carangola e Recreio; Samba de Raiz. Simultaneamente, acontece no local uma "Feira de Artesanato".

A intensa programação da "Semana Nelson Silva" termina no "Ilê Abé Furanga Ubafã Axexerê" (Rua Antônio de Castro nº 405, no bairro Ipiranga). Às 19h, uma Sala de Conversa - coordenada pelo professor Leonardo de Oliveira Carneiro (Dofono de Logunedé do Ilê Axé Ifá Monge Gibanaue, Doutor em Geografia pela UFF) - aborda "A Importância da Religião de Matriz Africana para a Cultura Brasileira", com a participação de Pai Jaques (Terreiro Ilê Abé Furanga Ubafã Axexerê), Pai Alessandro Araújo Santos (Tateto Delegi) e Pai Cícero D’Obaluaiê do Terreiro Kamafeu de Oxossi, em São Luís/MA. Finalizando vai ter muito Samba de Roda.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Lideranças de terreiros participam do Congresso do CONASEMS

A Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde estará participando do XXVIII Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, que acontece de 11 a 14 de junho, em Maceió.

Nesse evento contará com a participação de alguns dos coordenadores de núcleos da Rede, da coordenação do GT Juventude dos Terreiros, das coordenadoras do GT Mulheres de Axé e do coordenador do GT Homens de Axé. Entre os integrantes da Rede teremos Mãe Luza de Oxum(Maranhão), Pai Mariano de Ossain(Maranhão), Babá Dyba(Porto Alegre), Mãe Nilce de Iansã(Rio de Janeiro), Pai Edilson de Omulú(Rio de Janeiro), Mãe Neide(Maceió), Iaô Ana Bartira(Rio de Janeiro), Iyá Cristina de Oxum(São Paulo), Vilma de Iansã(Rio de Janeiro) e Ogan Marmo(Rio de Janeiro).

Para o Congresso a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde estará levando a experiência do Projeto Caravana do Axé: promoção da saúde, cultura e cidadania nos terreiros do Estado do Rio de Janeiro e elaborou um folder em parceria com o Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

A Rede também vai participar de uma Roda de Conversa Políticas de Promoção da Equidade em Saúde: Desafios e Possibilidades de Implementação no Espaço Municipal, organizada pela SEGEP-MS, no espaço da Tenda Paulo Freire. Além disso a Rede pretende mostrar cenas do vídeo Religiões Afro-Brasileiras, Aids e Direitos Humanos, levando os saberes tradicionais dos terreiros para dentro do Congresso do CONASEMS e mostrando que existem outras formas de lidar com a saúde onde o acolhimento e os cuidados são fundamentais.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Omi Kosi, Ewe Kosi, Kosi Orisa: Projeto Revitalização das Matas e Igarapés



Terreiros de Porto Velho realizam encontro para discutir a preservação e o cuidado com o meio ambiente

Com o objetivo de valorizar os saberes da tradição religiosa sobre cuidados com o meio ambiente, a ACCUNERAA vai realizar nos dias 18 e 19 de maio de 2012, o Encontro Omi Kosi, Ewê Kosi, Kosi Orisa, na cidade de Porto Velho.

A proposta é mobilizar o povo de terreiro para cuidar dos rios e igarapés da cidade mostrando que essa iniciativa dos terreiros tem como finalidade beneficiar toda a sociedade e que governo e os terreiros podem ser parceiros em ações de preservação do meio ambiente.

O evento em Porto Velho tem como objetivos:
• valorizar aspectos da diversidade cultural afro-brasileira e reconhecer o potencial da religiosidade de matriz africana como uma das referências para elaboração de conhecimentos a favor da questão ambiental

Local: Teatro Banzeiros – Porto Velho - Rondônia

sábado, 12 de maio de 2012

67% de moradores de rua são negros, porque será?

Nesta quarta-feira (9),  no Conselho Nacional de Saúde, parte da 233ª reunião ordinária foi dedicada ao Plano Operativo para Implementação de Ações em Saúde da População em Situação de Rua. A diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério da Saúde (Dagep/Sgep/MS),Júlia Roland, apresentou dados preocupantes: 67% das pessoas que vivem em situação de rua são negros (pretos e pardos), 53% são jovens (de 25 a 47 anos), 74% têm instrução (sabem ler e escrever), 70,9% exercem algum tipo de trabalho remunerado (construção civil, catadores e flanelinhas) e recebem entre R$20,00 e R$80,00 por semana, em média.

Entre as possíveis causas que levam pessoas a viver nas ruas estão o uso de álcool e drogas, o desemprego e graves problemas familiares. “Os problemas podem aparecer separadamente, em conjunto ou em decorrência um do outro”, observa Júlia Roland.

A pesquisa também assinalou algumas doenças, às quais pessoas em situação de rua estão mais vulneráveis, como a hipertensão, as doenças mentais, a aids e os problemas de visão (não necessariamente cegueira).

A pesquisa mostrou ainda que, quando apresentam problemas de saúde, as pessoas em situação de rua recorrem em primeiro lugar aos hospitais e posteriormente aos postos de saúde. "Isso acontece devido à discriminação que ainda é muito grande", avalia Júlia Roland.

O coordenador-geral de Apoio à Educação Popular e à Mobilização Social do Ministério da Saúde (Dagep/Sgep/MS), Reginaldo Alves Chagas, apresentou o Plano Operativo para Implementação de Ações em Saúde da População em Situação de Rua. Reginaldo Chagas explicou, ponto a ponto, as ações propositivas previstas no plano, mas ressaltou a importância da capacitação dos conselheiros de saúde sobre a temática da PSR e, principalmente, dos profissionais de saúde que, a seu ver, são fundamentais para o êxito do trabalho proposto.

"O morador de rua tem uma percepção diferenciada do seu próprio corpo. Ele só pára quando o corpo realmente parar”, analisa Reginaldo Chagas. Em sua avaliação “as pessoas em situação de rua não se sentem incluídas e a discriminação é demasiadamente grande, por isso não buscam prevenções nem paliativos”.

Em sua fala, o representante do Movimento Nacional de Pessoas em Situação de Rua, Anderson Miranda, ressaltou que mais de 14,7 mil pessoas vivem nas ruas apenas na cidade de São Paulo. Ele também solicitou ao CNS que aprove o mérito do texto base do Plano Operativo para Implementação de Ações em Saúde da População em Situação de Rua para que seja encaminhado à Comissão Intergestores Tripartite (CIT). Tanto o mérito quanto o texto base do Plano Operacional foram aprovados por unanimidade pelo Pleno do CNS, seguindo o que recomenda a Lei Complementar nº 141, que define que os Planos Operativos devem ser antecipadamente apreciados pelos conselhos.

Fonte: Conselho Nacional de Saúde
Pleno do Conselho Nacional de Saúde aprova recomendação sobre saúde da população quilombola

A Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra (CISPN) do Conselho Nacional de Saúde apresentou aos conselheiros uma recomendação sobre a população quilombola. A Comissão realizou reunião na terça-feira (8) sobre o assunto com representantes da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde (SGEP/MS), da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e da Defensoria Pública da União (DPU).

De acordo com dados da DPU, dos 653 municípios com comunidades remanescentes de quilombos certificadas pela Fundação Cultural Palmares no País, 454 municípios não serão contemplados pela Portaria nº 2.488/2011 do MS para recebimento de incentivo específico por possuírem comunidades quilombolas.

Segundo a coordenadora da Comissão, Jurema Werneck, isso acontece porque “o quantitativo populacional dos municípios é menor do que o previsto para o seu recebimento e que tal montante representa 1.248 comunidades certificadas no país, ou seja, 80% dos quilombos certificados estarão descobertas por incentivos específicos para atenção básica”, afirmou.

Entre as recomendações feitas pelo Conselho está a revisão da Portaria do Ministério da Saúde nº 2488/2011, para garantir a ação afirmativa voltada para as comunidades quilombolas, garantido valor variável segundo o número de comunidades quilombolas, desagregando os dados de quilombolas e assentados; incluir metas de atenção à saúde quilombola no Contrato Organizativo de Ação Pública que trata a Lei Complementar nº 141.

O texto da recomendação aprovado em pleno é direcionado ao Ministério da Saúde, à Fundação Nacional de Saúde e à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Fonte: Conselho Nacional de Saúde
Relatório aponta que vítimas de crimes cometidos em Brasília têm cara e cor

Por Denise Porfírio

Um novo estudo realizado pelo Instituto Sangari titulado Os novos padrões da violência homicida no Brasil aponta que na capital do país, morrem cinco vezes mais negros do que brancos em crimes violentos.

A pesquisa aponta que os negros se encaixam no perfil das vítimas de assassinatos do Distrito Federal. No ranking nacional de pessoas executadas em 2010, o DF figura na 10ª posição, com uma média de 34,2 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, 30% acima da média nacional, que é de 26,2 homicídios. A frente estão as cidades de Alagoas, Espírito Santo, Pará, Pernambuco, Amapá, Paraíba, Bahia, Rondônia e Paraná.

Quando a análise se restringe à população afrodescendente, Brasília passa a ocupar a 5ª colocação, com taxa de 55,5 assassinatos para cada 100 mil moradores. Ou seja, a mortalidade entre negros é 60% maior do que entre brancos e pardos. Para se ter uma ideia da diferença, a mortandade entre brancos no DF é de apenas 10 para cada grupo de 100 mil.

Segundo especialistas a posição ocupada pelo DF se deve a expansão do comércio de drogas nas periferias, endereço da maioria dos jovens pobres e negros e a diferença na aplicação de políticas públicas em Brasília e no Entorno. A maior preocupação é que ao contrário das demais unidades da Federação, o DF apresentou um crescimento no número de vítimas negras nos últimos anos. O aumento passou de 46,9 em 2006 para 55,5 em 2010.

Há quase uma década e meia fazendo relatórios sobre a violência no Brasil, o autor do Mapa, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, avalia que a identificação do brasileiro como “homem cordial” não se sustenta pelos dados estatísticos. “A sociedade brasileira é tão violenta quanto qualquer outra latino-americana”, diz.
 
Pesquisa - O estudo chama a atenção que por cada branco assassinado em 2010, morreram proporcionalmente mais de dois negros nas mesmas circunstâncias. “É mais preocupante ainda, pelo balanço histórico dos últimos anos, a tendência desses pesados níveis de vitimização é crescer ainda mais, afirma.

As fontes para a estruturação dos dados referentes à população por raça ou cor são as entrevistas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e/ou do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ambas coletam dados por autoclassificação do entrevistado, que escolhe uma entre cinco opções: Branca, Preta, Parda, Amarela ou Indígena.

O sociólogo Waiselfisz completa: “As evidências nos levam a postular a necessidade de reorientar as políticas nacionais, estaduais e municipais em torno da segurança pública”, pontua. “É necessário enfrentar de forma real e efetiva essa chaga aberta na realidade social do país”, conclui.

Fonte: Fundação Cultural Palmares
Foto: Google